Caso Queiroz: Como prisão ameaça o governo Bolsonaro

A prisão de Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro repercutiu pelo país e dúvidas surgiram sobre a dita 'perseguição política' feita à Bolsonaro

A prisão de Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro repercutiu pelo país e dúvidas surgiram sobre a dita ‘perseguição política’ feita à Bolsonaro

As implicações políticas do Caso Queiroz e o esquema de rachadinhas (quando parte do salário de assessores é devolvido ao parlamentar) começam pelo ex-acessor ter sido preso na casa do advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef, que esteve em pelo menos duas posses do alto escalão do governo nos últimos meses.

Seria difícil, para o presidente, tratar o caso como um escândalo político isolado e distante da sua figura em particular. A família do presidente tem uma participação política muita ativa no seu governo. Essa situação administrativa onde casos relacionados à família se relacionam direta ou indiretamente com a política governamental, torna difícil atribuir esse caso exclusivamente a Flávio.

Mesmo assim, o discurso de ‘perseguição política’ ainda é usado para tratar das crescentes crises políticas acontecendo no governo Bolsonaro. Em sua conta no Twitter Flávio comentou: “Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim.Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”

A associação da ideia de corrupção ligada à familia Bolsonaro certamente irá cobrar seu preço com a imagem popular e a base de apoiadores do Presidente a menos que sejam dadas explicações muito convincentes.

O acúmulo das crises políticas

A prisão de Queiroz foi apenas a ‘bomba’ mais recente depositada às portas do governo.

Em Maio, junto da demissão do ex-ministro Sérgio Moro vieram as acusações do presidente ter tentado intervir politicamente em investigações da PF.

A operação da Polícia Federal que apura atos antidemocráticos prendeu a ativista Bolsonarista Sara Winter na segunda-feira (15) dessa semana, um dia antes de quebrar o sigilo bancário de 11 parlamentares da base de apoio do presidente em operação ligada ao financiamento de grupos suspeitos da prática de atos antidemocráticos.

Ontem (18) demissão do ex-ministro da educação Abraham Weintraub, componente da chamada “ala ideológica” do governo que sempre recebeu críticas de grupos e técnicos ligados à educação, por agir como “ministro da educação sem educação, grosso, horrendo, nojento” e dito “um seguidor inculto de Olavo de Carvalho”, veio como uma solução rápida para a instabilidade política gerada pelas atitudes e falas de Weintraub contra o STF.

Weintraub anunciou demissão em vídeo ao lado do presidente

Esse acúmulo de desgastes vai tornando os cargos negociados com o Centrão mais custosos para o governo. Recentemente, o presidente têm se aproximado de políticos do Centrão em busca de apoio no congresso.

O perigo dessa situação de instabilidade do governo é o desvio de discussões que deveriam ser primárias no país, como o combate ao Covid-19 e as políticas econômicas.

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