Decotelli explica inconsistências curriculares e diz: “Sou ministro”

Presidente posta mensagem de apoio a Decotelli em redes sociais, porém é pressionado à indicar outro nome para a pasta

Presidente posta mensagem de apoio a Decotelli em redes sociais, porém é pressionado à indicar outro nome para a pasta

Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro na noite desta segunda-feira, o ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli negou plágio em sua dissertação de mestrado na Fundação Getulio Vargas (FGV) e reafirmou sua posição no cargo. “Sou ministro” afirmou Decotelli.

Bolsonaro escreveu em suas redes sociais que “por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o ministério”.

“O sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta, bem como, está ciente de seu equívoco. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos”, afirmou o presidente.

Em entrevista, na frente do Ministério da Educação, o ministro da Educação afirmou ter obtido os créditos de doutorado na argentina mas que não chegou a defender a versão final da tese pois teve que voltar ao Brasil por dificuldades financeiras.

“A banca falou que a tese tinha um ponto de corte muito longo e me mandou fazer readequações. Essa foi a recomendação formal da banca. [Mas] Eu precisava voltar ao Brasil, porque toda a despesa foi pessoal, não havia bolsa. Com dificuldade, não mais voltei. Eu fiquei com o diploma de créditos concluídos, posso apresentar a vocês”, afirmou o ministro.

Segundo Decotelli, na audiência no Palácio do Planalto, Bolsonaro o questionou sobre as inconsistência no seu currículo “Não houve plágio, porque o plágio é quando faz ‘Control + C, Control + V’, e não foi isso” disse o ministro.

Sobre o pós-doutorado na Alemanha, o ministro da Educação também argumentou que a pesquisa foi concluída, apesar de não ter sido oficialmente considerada um título de pós-doutorado. “A pesquisa foi concluída? Foi. A estrutura da pesquisa, do pós-doutorado. Não tem sala de aula, não tem nota de uma disciplina, é uma orientação. Foi caracterizado que, quando foi concluído o trabalho, a pesquisa tinha que ser registrada em um cartório acadêmico. E você tem a pesquisa lá, registrada [no cartório]. Agora, o pós-doutorado é um título de pesquisa. Se você olhar o documento de Rosário, vai ver que os créditos foram concluídos”, disse.

Possíveis substitutos de Decotelli

O governo planejava uma solenidade de posse nesta terça-feira (30), mas a realização do evento foi adiada.

Apesar das declarações de apoio de Bolsonaro ao ministro da Educação, o presidente pediu na tarde desta segunda-feira (29) a deputados e assessores indicações de nomes para substitui-lo.

Após a suspensão da cerimônia de posse de Decotelli, a cúpula militar, que bancou a escolha, ainda tentava reverter uma demissão do novo ministro. Aliados do presidente mais próximos do ex-ministro Abraham Weintraub entraram em contato com Bolsonaro para convencê-lo a indicar outro nome para o ministério.

A pressão foi reforçada por deputados bolsonaristas, aliados dos filhos do presidente, que sugeriram que ele faça uma nova rodada de sondagens. Com o movimento de Bolsonaro, parcela do núcleo fardado, que apadrinhou a nomeação Decotelli, indicou recuar do apoio à sua permanência no cargo.

Para evitar que o grupo de Weintraub emplaque o novo ministro, no entanto, militares palacianos passaram a articular um nome alternativo. Para o lugar de Decotelli, a cúpula militar passou a sugerir o professor Marcus Vinicius Rodrigues, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

Já o grupo próximo ao ex-ministro voltou a defender os nomes do secretário de Alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim​, e do presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Benedito Aguiar.

O primeiro chegou ao cargo por indicação do escritor Olavo de Carvalho, influenciador ideológico dos filhos de Bolsonaro. O segundo tem forte respaldo da bancada evangélica, um dos pilares de sustentação do governo.

Apesar de já ter pedido sugestões, o presidente sinalizou que só irá oficializar uma troca quando for concluído pente-fino feito pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no currículo de Decotelli.

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