Bolsonaro ao Mercosul:“Nosso governo vai desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil”

Na reunião por videoconferencia os atritos ideológicos foram deixados de lado dando lugar a discursos que ressaltam a união e cooperação dentro do Mercosul

Na reunião por videoconferência os atritos ideológicos foram deixados de lado dando lugar a discursos que ressaltam a união e cooperação dentro do Mercosul

Ontem (2), ocorreu a reunião da Cúpula do Mercosul, realizada pela primeira vez por videoconferência devido à pandemia do novo coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro manteve o discurso afável. O chefe do Planalto não comentou suas declarações do ano passado sobre a saída do Merco Sul nem polemizou o presidente argentino Alberto Fernández com quem já teve desentendimento no passado por conta da campanha do líder argentino a favor da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seu discurso, destacou avanços comandados por seu governo nas áreas de renovação de infraestrutura, atração de investimentos e com a Reforma da Previdência. Pediu ainda que o bloco trabalhe para concluir e assinar o acordo com a União Europeia ainda “neste semestre”.

“Nosso governo vai desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil, mostrando ações que temos tomado em favor da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas” Ele acrescentou que “está disposto a avançar em outros empreendimentos com parceiros mundo afora” e destacou que “o Mercosul é o principal veículo” para que o Brasil possa se inserir “mais e melhor” no cenário internacional.

“Queremos levar adiante as negociações abertas com Canadá, Coreia do Sul, Cingapura e Líbano, expandir os acordos vigentes com Israel e a Índia e abrir novas frentes na Ásia. E temos todo interesse em buscar tratativas com os países da América Central”, frisou Bolsonaro.

Bolsonaro saudou no início de seu discurso todos os líderes e chanceleres presentes na videoconferência.

Ao longo de seu pronunciamento, se dirigiu diretamente ao presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, a presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, e do Urguai, Luis Lacalle Pou. Porém, em nenhum momento tratou da relação do Brasil com a Argentina, o mais tradicional parceiro econômico brasileiro.

União acima de ideologias

Em seu discurso, o Alberto Fernández também não se dirigiu a Bolsonaro. O argentino, contudo tratou da necessidade do bolco agir em conjunto neste momento de pandemia e acabar com as desigualdades entre os países-membros, citando o Uruguai e Paraguai.

Fernández ressaltou ainda que as diferenças ideológicas entre os governos não devem atrapalhar os trablahos do bloco.

“Precisamos entender que a união dos nossos povos precede nossa condição de governantes ocasionais”, disse. “As diferenças que podem surgir, ideológicas, conceituais ou do tipo que queiram, passarão a segundo plano. Está na hora de entender que são os povos que se vinculam mais do que os governos”, afirmou o líder argentino.

Alberto Fernández comentou sobre a pandemia dizendo que “não tem sentido em chorar sobre o leite derramado”, e que os países do bloco precisam se concentrar nos desafios a diante. Disse que a responsabilidade de superar esta crise é dos governantes, e que “se não agimos bem, somos nós os culpados pelas coisas acabarem mal”.

Renúncia de chanceler uruguaio

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Ernesto Talvi, renunciou ao cargo nesta quarta-feira 1, menos de 24 horas antes da Presidência do Mercosul passar para seu país. O comando do bloco foi transferido do Paraguai para o Uruguai, conforme dita a tradição.

O sucessor de Talvi será o atual embaixador do Uruguai na Espanha, Francisco Bustillo, um diplomata de carreira muito próximo de Lacalle Pou e que tem boas relações com Alberto Fernández.

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